Quando envelhecemos, mudamos de opinião sobre as coisas à medida que vamos aumentando nosso entendimento sobre elas. Às vezes, fatos que ocorrem em alguns aspectos de nossa vida, influenciam outros que aparentemente não têm relações com eles.

Gosto de pensar que comecei a me interessar por música aos 11 anos, pois nessa idade fui convidado a me juntar ao mundo do Rock, e eu aceitei o convite.

Não sei se é acertado dizer que comecei a escutar música nesse período, pois eu já usava a vitrola dos meus avós desde muito antes. Porém entre o ato de ouvir e escutar, fico com o de ouvir, pelo menos até a chegada do Nirvana.

A passagem no Nirvana pelo meu repertório pessoal foi rápida, o Kurt já havia cometido suicídio e eu me divertia demais na época, para ficar triste com uma coisa dessas.

Foi então que um primo meu deixou lá em casa um disco chamado “Fear Of The Dark”. A capa já impunha respeito, o monstro mascote Eddie sempre foi um cara carismático.

Lembro que a parte mais esperada por mim, em cada música, era o solo. E mesmo sem entender muito, em cada um deles eu pensava “Nossa, os caras são animais!”.

Porém gostar mesmo, era só de “Wasting Love”. Hoje entendo que “Wasting Love” era a única balada do disco. E entendo que metade das demais músicas estavam nele para fazerem número na lista. Muito ao contrário do que aconteceu no show de ontem, que celebrou 20 anos desde o lendário “Live After Death”.

“Live After Death” foi minha trilha sonora até meus 15 anos. Sofreu concorrência com Helloween e Ozzy Osbourne, mas se manteve firme até meu interesse pelos guitarristas virtuosos prevalecer. Steve Vai levou a melhor nessa, e eu abandonei o Iron e o Heavy Metal.

Sempre pensei na sorte que aquelas pessoas tiveram, por estarem naquele show em 1985, nos Estados Unidos. E por muitos anos, tive a certeza que nunca conseguiria ver um show tão bom do Iron, pois aquela época não voltaria mais.

E como, ironicamente, as coisas na vida da gente acontecem quando se “desencana” delas. Eu estava errado quanto ao show. Pois ontem, melhor do que assistir a um vídeo dos anos 80, pude participar, e cantar, juntamente com mais 40 mil pessoas, os hinos clássicos da banda. Canções que não eram mais executadas por eles, desde o final da década perdida.

Ontem, graças as mudanças que o tempo causa em nós, eu não estava no Parque Antártica para ver solos rápidos, mas para cantar refrões. Vendo a música como um todo, não em partes, pude aproveitar toda a diversão que é interagir numa apresentação do Iron Maiden.

O que Bruce Dickinson conseguiu passar em duas horas de apresentação, foi uma celebração dos quase 30 anos da banda, mas também da vida de cada um dos integrantes. Pois cada um nós, famosos ou não, fazemos as mesmas escolhas quando crescemos.

Para Bruce, o início do sucesso do Iron coincide com o início de sua carreira bem sucedida na música. Para mim, e para muitos outros fãs, a banda marca nossos primeiros contatos com o mundo do Rock.

Já faz 13 anos desde esse meu primeiro contato, de lá para cá fiz minhas escolhas, e, assim como eles, também tive algo para celebrar ontem.